A inocência infantil é
uma dádiva, mas também pode colocar a própria VIDA em risco .
Há filmes que merecem
ser assistidos sobretudo pela sua cena final. É o caso deste filme,
e também de outro mais recente em cartaz: “A BUSCA”.
São filmes que abordam
o tema da FAMÍLIA.
Claro... como toda obra
artística bem construída, caso de ambas as películas, podemos
destacar diversos temas, pois elas podem ser apreciadas e
consideradas a partir de vários e diferentes ângulos.
O filme “O MENINO DE
PIJAMA LISTRADO” chamou minha atenção por retratar com primazia a
forma absurdamente diferente como duas crianças com a mesma idade –
8 anos – vivem a infância. Me fez novamente refletir que não é
possível falarmos em “A" infância mas em “infâncias”. Essa
etapa da vida é vivida de modo bem peculiar por cada infante,
dependendo sempre das condições de seu contexto cultural e do
momento histórico no qual a criança está inserida. Toda pessoa é o um ser sócio-histórica e culturalmente determinado. Há ainda a parte que cabe à singularidade de cada um. Como cada pessoa se posiciona diante da vida, dos desafios e as possibilidades que lhe são apresentadas – uma parte que envolve determinações genéticas, legados familiares, escolhas pessoais – processo altamente complexo , multideterminado e sistêmico. Será que há nesta vida algo de maior complexidade do que a configuração de cada personalidade humana?
Mas este é um filme
que trata sobre como diferentes pessoas, em diferentes faixas etárias e papéis sociais vivem, convivem, vêem a vida
e se colocam nela. Como vivem e como morrem. Como “fazem escolhas”
e como vivem sem escolhas. Aborda ainda o tema de como casais nem
sempre concordam sobre coisas essenciais para o convívio em paz
debaixo de um mesmo teto, e para criarem seus filhos, bem como,
destaca que o que as mulheres sentem nem sempre é levado em conta,
da mesma forma, de como aquilo que as crianças sentem também não
são. Mas crianças e mulheres são pessoas em posição diferente na
vida? Ou não? Ou não foram? Ou não são assim consideradas ainda
hoje? Adultos e infantes são diferentes? Devem ser tratados
diferentemente? Têm diferentes responsabilidades diante da vida –
independente de seu gênero?
Aríés (1978) ajuda a lembrar
que a noção de infância não existiu sempre, é uma construção
mais recente. E o direito às mulheres de serem escutadas,
respeitadas e preservada a sua dignidade de posicionar-se no mundo
enquanto um ser adulto e com direito a escolhas e participação em
decisões – seja na vida ou seja no contexto da morte - como o
filme bem ilustra. É isso uma construção vigente atualmente em
todas as sociedades neste mundo? Em todas famílias na sociedade
brasileira? Acho que apenas estas duas questões, para quem assistiu
o filme bastam, para respondermos que também ao se abordar o tema
acerca do “ser mulher”, teremos que falar em diferentes formas de
ser mulher, nas sociedades e nas famílias hoje. Uma forma idealizada
de infância e sobre ser mulher não ajuda. É preciso ter os pés
bem calcados na realidade ao olhá-la.
E por falar em família,
a transmissão de padrões geracionais é outro tema muito brevemente
delineado no filme; porém não de menor importância, a ponto de não
merecer destaque. Isso pode ser percebido na forma do avô tratar a
avó, e do pai tratar a mãe, bem como, no comportamento da filha.
Aliás, com o final do filme não houve possibilidades de observar as
mudanças que possivelmente ocorreriam nos padrões familiares, nos
valores e nas crenças, a partir do evento trágico ocorrido. Mas há
cenas que ilustraram bem o sofrimento de ambas as esposas- a do pai e a do
filho, a partir da imposição unidirecional e exclusiva de valores e
ideias deles sobrepondo-se as delas, na vida e na morte, não abrindo
muitas possibilidades para escolhas.
Uma busca que diferente
do filme A BUSCA, termina com um fim trágico. Eu fiquei me
perguntando ao final, qual seria a continuidade do filme, se ele
assim tivesse uma. Me perguntei se uma criança precisou morrer para
que a vós da mãe, e da avó, se fizessem escutar.
Mas isso já são
elucubrações de uma espectadora que vivenciou a experiência
estética e interagiu com a obra. Indico ambos os filmes. Eles abrem
portas para várias reflexões. E o filme “A busca” pode ser que
ainda esteja em cartaz em alguns cinemas.
REFERÊNCIAS:
ARIÈS,
P. História
social da infância e da família.
Tradução: D. Flaksman. Rio de Janeiro:
LCT, 1978
IMAGENS disponíveis em :
Flávia Diniz Roldão
Psicóloga, Pedagoga e Teóloga.
Psicoterapeuta individual, de casais e familias.
Trabalha com Arteterapia e desenvolvimento humano.
Contato: flaviaroldao@gmail.com
Psicóloga, Pedagoga e Teóloga.
Psicoterapeuta individual, de casais e familias.
Trabalha com Arteterapia e desenvolvimento humano.
Contato: flaviaroldao@gmail.com






