sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Os sonhos precisam ser atenciosamente cuidados

(imagem 1)


Quem tem amizades que duram anos sabe, construir uma boa relação de amizade leva tempo, é trabalho de paciência e cuidado. Mas quem planta colhe.
Ouvi dizer que amigos nascem feitos, não os fazemos, apenas os reconhecemos. Você tem reconhecido seus amigos quando os encontra?

Hoje indo viajar para visitar uma amiga cuja amizade vem crescendo já há alguns anos, no trajeto fiquei lembrando de outro momento em que fiz o mesmo trajeto para visitar a família. Momentos diferentes em que estavam a vida de todos nós, pois a vida não espera, ela não para.

Entendem alguns psicólogos, que para ser feliz uma pessoa precisa de 3 coisas: amor, trabalho e lazer. Refletindo enquanto viajava cheguei à conclusão que eu, pessoalmente acrescentaria duas outras coisas a estas três: ter amizades e desenvolver bem a sua espiritualidade. Se cuidarmos de estar realizados nestas 5 áreas: no amor, no trabalho, tendo lazer, amigos e uma boa espiritualidade, entendo que ao menos estaremos próximos da felicidade. Mas conseguir sentir-se bem nestas cinco áreas dá um grande trabalho e se alguém pensa que as coisas vão se resolver em cada uma delas sozinhas por si mesmo, então precisa estar preparado para lidar com frustração na certa. Gosto muito do ditado popular que alerta: Quem não planta não colhe! E diria Clarice Lispector: "A vida só é possível reinventada!"

Mas as vezes lidar com frustração e dor é parte do processo de crescimento na vida. como lembrou Rubem Alves: "Ninguém gosta da dor. Contudo, sem a possibilidade de senti-la um corpo se acha em perigo. A dor está a serviço da vida. Ela é um sistema de alarme que informa ao nosso organismo que algo está errado." Por isso a dor não é ruim. Ruim é não tê-la quando tê-la poderia ajudar no aprendizado e crescimento pessoal e familiar.

Alcançar um equilíbrio exato de satisfação pessoal nestas cinco áreas é algo bastante difícil, contudo, ter um foco claro ajuda na caminhada da vida, pois quem não sabe para onde está indo, pode chegar a um lugar que nunca imaginou estar, e na hora de pegar um caminho na viagem, qualquer caminho vai servir. Depois não adianta reclamar na chegada.
Sonhos entretanto precisam ser cuidados com atenção e carinho. Alertou Alves: "É preciso engravidar o presente." Para ele, "devido ao seu projeto criativo, o homem mostra-se capaz de conquistar o sofrimento. (...) As utopias nascem quando a vida descobre que seu corpo está condenado à morte. E porque a vida quer viver, tem de dizer: "não" ao seu próprio corpo. Tem de elaborar um projeto de metamorfose: a lagarta deve se converter numa borboleta. Mas para que isto ocorra a lagarta tem que desaparecer."

Você tem cuidado dos seus sonhos? Quais são os seus sonhos em cada uma destas áreas? Qual destas áreas merece mais da sua atenção e cuidado em 2014?

Vale a pena cuidar dos seus sonhos. Os sonhos precisam ser atenciosamente cuidados. Mas para poder cuidá-los, é preciso antes, saber tê-los. Sabe-los !!!



"...Para o deserto converter-se num jardim não basta arrancar espinhos e cardos: deve-se plantar flores e pomares" escreveu Rubem Alves, e este indicador trazido por ele, precisa ser aplicado tanto no amor, no trabalho, no lazer, nas relações de amizade, e no desenvolvimento da espiritualidade. Nada na vida surge do nada. Tudo é fruto de intencionalidade e atenção aplicada: trabalho, atividade.

"Criar aqui neste momento o lugar agora possível para aquilo por que aspiramos, de maneira que ele possa se realizar depois." (Martin Buber citado por Rubem Alves)




REFERÊNCIAS:
ALVES, Rubem. A gestação do futuro. 2 ed. SP, Campinas: Papirus, 1987.
Imagem 1 disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=rD6akIBTqWU
Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=rD6akIBTqWU 


Flávia Diniz Roldão
Psicóloga, Pedagoga e Teóloga. Psicoterapeuta individual, de casais e familias. Trabalha com Arteterapia e desenvolvimento humano.
Contato: flaviaroldao@gmail.com

sábado, 4 de janeiro de 2014

O filme: Álbum de Família


Álbuns são compostos por fotos. Fotos mostram a diversidade, a composição, e registram/guardam/marcam os diferentes momentos (cenas congeladas).

O filme "Álbum de Família", de John Wells, é tenso, denso! Dá a vontade de desistir de assisti-lo em vários momentos. É muita gritaria, muito problema junto... ou melhor, uma coleção de cenas (fotos) de problemas juntos. Arte imitando a vida?

Já alertou a terapeuta familiar Froma Walsh: "Dois MITOS da família 'normal' perpetuam uma visão triste da maioria das famílias. Um é a crença de que as famílias saudáveis são isentas de problemas. (...) Essa crença -[diz Froma, citando outro terapeuta familiar chamado Minuchin] tendeu a patologizar as famílias comuns que procuram enfrentar os estresses e as mudanças desorganizadoras que fazem parte da vida (Minuchin, 1974 apud Froma, 2005). Nenhuma família está isenta de problemas. Coisas desagradáveis do infortúnio atingem a todos, de várias maneiras e em vários momentos da vida. O que distingue as famílias saudáveis não é a ausência de problemas, mas a maneira de enfrenta-los e a competência para resolver um problema. Um segundo mito é a crença de que a 'família tradicional' idealizada é o único modelo possível para uma família saudável. Para a maioria, isso invoca a imagem, da década de 1950, de uma família branca, rica e nuclear conduzida por um provedor/pai e apoiada por uma dona-de-casa/mãe em tempo integral."
São mitos estes, pois, conflitos, problemas, crises, mudanças e estruturas diferentes de famílias são realidades presentes desde sempre. E as famílias mesmo dentro do padrão que se poderia chamar "família tradicional", enfrentam muitos problemas e crises.

O que é uma família?
Um sistema de alta complexidade. Um sistema em constante movimento/mudança. E é justamente a simplificação e estagnação deste sistema, que pode torna´- lo disfuncional. São pessoas diferentes, interligadas e influenciando-se mutuamente de forma recursiva.


É na difícil lida com as diferenças, os segredos, as verdades, os sonhos, as lealdades, as fragilidades e as forças, que a família vai construindo a sua história. A história da família. São nos momentos de maior fragilidade, que os pontos não trabalhados na família emergem, suscitando a necessidade de enfrentamento de questões delicadas que foram sendo deixadas de lado, ou "jogadas para debaixo do tapete", mas que urgem então com força total e suscitam serem lidadas.

A união ou desunião nestes momentos faz diferença! Alertou Froma: "Quando os membros da família se unem para enfrentar o desafio, seus vínculos são fortalecidos e os indivíduos podem desenvolver novas áreas de competência." (p.19). Mas esta não é a realidade encenada neste filme. Por isso mesmo tão tenso. Por outro lado, ele ilustra bem o que escreveram Hadley et. al: "Um evento fundamental ou transição perturbadora pode catalisar mudança significativa em um sistema de crença familiar, com reverberações para a reorganização imediata e para a adaptação a longo prazo."(Hadley et al apud Froma, 2005, p. 21). E talvez poucos eventos familiares sejam tão significativos e mobilizadores a uma mudança quanto as perdas, e especialmente a morte.
Lembra-nos Figley que "eventos catastróficos que ocorrem de repente e sem aviso podem ser especialmente traumáticos" (apud Froma, ibidem). E destaca Froma que, "as reverberações, como uma onda de choque, podem se estender por todas as redes familiares(...) em consequência, algumas famílias são devastadas ao passo que outras conseguem se reunir, reerguer e ir em frente." (ibidem). Essa onda de reverberações fica muito bem ilustrada no filme. Após esta morte e o processo posterior vivido pela família, seus membros jamais serão os mesmos, a vida de cada um deles sofrerá mudanças profundas. Para seguir em frente, cada personagem do filme necessitaria criar competência nova e renovada.


Abordando o tema da resiliência familiar, ou seja, dos "processos de preparação da família como uma unidade funcional para o enfrentamento e adaptação às crises e problemas", Froma Walsh destaca que, essa abordagem da família visa "identificar e fortalecer processos interacionais fundamentais que permitem às famílias resistir aos desafios desorganizadores da vida e renascer a partir deles. (...) Muda a perspectiva de se encarar as famílias em situações de angústia como defeituosas, para encará-las como DESAFIADAS, ratificando o seu potencial para o reparo e o crescimento." (p.3).

O evento da morte pode ameaçar a funcionalidade familiar. Mas a morte é parte da vida, uma certeza a ser vivida e enfrentada pelas famílias, de sorte que o trabalho profilático e preventivo pode ser estratégia fundamental no trabalho de saúde mental com famílias. Uma coisa é certa, como bem destacou Froma, a morte exige adaptações, ela deixa buracos e exige reorganizações.





REFERÊNCIAS:
WALSH, Froma. Fortalecendo a Resiliência Familiar. SP: Roca, 2005.
Imagens disponíveis em: http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/em-album-de-familia-as-relacoes-familiares-levadas-ao-extremo
Vídeo: disponível em http://www.youtube.com/watch?v=NME3l2MvpnM 
                             http://www.youtube.com/watch?v=-IRFxJI0Rm8

Flávia Diniz Roldão é psicóloga, psicoterapeuta familiar e de casais, professora universitária. Contato: flaviaroldao@gmail.com

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Trabalho da alma



 
As vezes... quando a alma dói...
Escorrem "lágrimas de diamantes"
 
A areia na concha faz pérola
Estrume pode virar adubo
E planta ressequida encontra novamente o vigor,
tal qual água que hidrata terra árida.
 
É a vida que impulsiona o VIVER
E não apenas se contenta em sobreviver.
É a alma buscando respiração
Desenvolvimento.
 
Não temos "uma vida de estepe"**
E as vezes nos esquecemos disto quando
abrimos mão de perceber o tempo que passa
E a vida escorre por entre os dedos, como água que se vai.


 
NOTAS
 

** "Vida de estepe" expressão usada por um paciente em uma Roda de Conversa em supervisão de Estágios de Psicologia.
Fonte da imagem: http://www.lagrimasdesaopedro.com.br/p/a-obra.html


Quando a alma inflama



 
"Daquilo que eu sei
Nem tudo me deu certeza..." canta Ivan Lins
 
Quando a alma RE-clama
As vezes IN-flama
 
E o que fazer quando a alma inflama?
 
Por que inflamou?
Que espinho na carne entrou?
 
Silêncio... pro-fundo!
 
Abraçar...
Acolher...
Escutar...
Caminhar...
 
Devolver a alma ao mundo
Encharcada de afeto e aceitação.
 
Aprender a esperar, só aprende quem se implica.
Tempo e or-ação
(introspecção e entrega)
 
O caminho se mostra
Mas é preciso ter serenidade e fé para esperar o tempo maturar
 
Tal como
O Verbo
Que no tempo
Certo
Se fez carne
e
Habitou entre nós.
 
 


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Como se constrói um “nós”


Como é bela a vida humana
Cada pessoa com sua exclusividade
Ninguém substitui ninguém, nem jamais substituirá
Quanto a isso seria um desperdício de tempo ter medo
Pois somos absolutamente únicos em nossas peculiaridades
Apesar de sermos parte da humanidade.
Cada relacionamento é absolutamente único.
Uma construção que nunca é unilateral, mas, participativa sempre.
Construído a partir da colaboração mútua de todos os envolvidos
Mutante
Movente
Múltiplo de possibilidades novas todos os dias.
Aproveitamos bem essa possibilidade?
Como uma dança compartilhada
Assim é a interação humana
Feita de gente
Que se sente e se move como gente? Ou como agente?
Agente de que? Agente de quem?
Como se constrói um “nós”?
Tomara que nem sempre, com nós
Mas ao invés disso, com laços e abraços
Como se constrói um nós?
Você já se perguntou: como estamos construindo o NOSSO “nós” ?
Ouvi ontem uma mensagem
Daquelas da melhor qualidade
Lembrava o mensageiroi:
9 são os frutos do espírito:
Amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperançaii.
O termo espírito em hebraico é Ruah, e significa “sopro” ou “vida”
Que relação não dará certo se fundamentada nestes frutos, os frutos da “vida” ou do “sopro de vida”? - perguntou.
Quanto a mim,
Ainda mais uma vez vale leva-lo a pensar:
Como se constrói um “nós”?
Como nós, humanidade,
 Estamos construindo o nosso “nós” ?

NOTAS:
iRefere-se ao sermão pregado pelo pastor Edson 
iiGalatas 5
REFERÊNCIAS:
Imagem 1: http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/2012/06/tdahs-de-maos-dadas.html acessada em 23/05/13
Imagem 2: https://www.google.com.br/search?gs_rn=14&gs_ri=psy-ab&tok=y6KOr63_zi-K8HJ21KhxvQ&pq=galatas+5&cp=8&gs_id=w&xhr=t&q=multiplos&bav=on.2,or.r_cp.r_qf.&biw=1093&bih=514&um=1&ie=UTF-8&hl=pt-BR&tbm=isch&source=og&sa=N&tab=wi&ei=qRGkUb-eCI-68wSysoGQDw#um=1&hl=pt-BR&tbm=isch&sa=1&q=m%C3%A3os+dadas+amigos&oq=m%C3%A3os+dadas&gs_l=img.1.3.0l10.401.1846.0.7125.9.4.0.0.0.0.1549.4258.7-2j1.3.0...0.0...1c.1.14.img.nKwjtbDccPE&fp=1&biw=1093&bih=514&bav=on.2,or.r_cp.r_qf.&cad=b&sei=6hSkUfOtL5Ko0AHvsIC4DQ&facrc=_&imgrc=JLe5sk4ZJdH3zM%3A%3Budkk-K2eJj8XgM%3Bhttp%253A%252F%252F3.bp.blogspot.com%252F-3EEE6nxs2-A%252FUR69GMNabmI%252FAAAAAAAAAOQ%252F9RhREcxZ7Zs%252Fs1600%252FImagem-azul-de-formas-de-pessoas-de-maos-dadas-em-volta-a-um-globo-terrestre_01.jpg%3Bhttp%253A%252F%252Fwww.adessoconsultoria.blogspot.com%252F%3B300%3B227
Imagem 3: https://www.google.com.br/search?gs_rn=14&gs_ri=psy-ab&tok=y6KOr63_zi-K8HJ21KhxvQ&pq=galatas+5&cp=8&gs_id=w&xhr=t&q=multiplos&bav=on.2,or.r_cp.r_qf.&biw=1093&bih=514&um=1&ie=UTF-8&hl=pt-BR&tbm=isch&source=og&sa=N&tab=wi&ei=qRGkUb-eCI-68wSysoGQDw#um=1&hl=pt-BR&tbm=isch&sa=1&q=m%C3%A3os+dadas+amigos&oq=m%C3%A3os+dadas&gs_l=img.1.3.0l10.401.1846.0.7125.9.4.0.0.0.0.1549.4258.7-2j1.3.0...0.0...1c.1.14.img.nKwjtbDccPE&fp=1&biw=1093&bih=514&bav=on.2,or.r_cp.r_qf.&cad=b&sei=6hSkUfOtL5Ko0AHvsIC4DQ&facrc=_&imgrc=PjbeqArDUZy6wM%3A%3B14YPFJgaDHtN8M%3Bhttp%253A%252F%252F1.bp.blogspot.com%252F-38ULtuYmhew%252FTjGQVDJ6x3I%252FAAAAAAAAAGw%252FVPG9qhFoLaI%252Fs1600%252Fhuman-touch_large.jpg%3Bhttp%253A%252F%252Fumaspalavrasamais.blogspot.com%252F2011%252F07%252Fde-maos-dadas.html%3B500%3B332
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Flávia Diniz Roldão
Psicóloga, Pedagoga e Teóloga.
Psicoterapeuta individual, de casais e familias.
Trabalha com Arteterapia e desenvolvimento humano.
Contato:
flaviaroldao@gmail.com

domingo, 19 de maio de 2013

O ADULTO (1)




Perguntou: - O que é ser adulto ?
Respondeu: - É ser o que se é. É não negociar a sua identidade por nada, nem ninguém.
-------------------------
“E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU” - Êxodo 3:14
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“E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.   Gênesis 1:27

sábado, 18 de maio de 2013

APRENDER A SER - pensando o desenvolvimento humano


 
 
Aprender a ser, também se aprende ?
A ser o que ?
A ser humano...
A ser gente !

 


Não viemos ao mundo com manual de instruções.

Nem sempre somos pessoas fácies de sermos acessadas.

Mas o debruçar-se de um outro semelhante, empático, que nos vê, sempre consegue acessar o mais profundo do nosso ser.

Dizem que o que o ser humano mais deseja é ser desejado.

Penso que o que o ser humano mais deseja é ser visto, como verdadeiramente ele é, sem as distorções dos espelhos projetivos. Ser visto na sua alteridade.

Quando o encontro do EU e TU à moda Buber ocorrem, feridas podem ser curadas, pois o bálsamo DO Encontro é a aceitação do que é visto, e o derramamento de um remédio sarador sobre o ferimento sem raspar-lhe.

De que é feita a vida?

De muitas coisas, e dentre elas, dos Encontros.

Quando há encontros, há um verdadeiro importar-se, preocupar-se com o o outro.

Nas palavras do professor de Artes do Filme: “Importar-se, tem o poder de curar as feridas, Um bálsamo para a dor. A criança se sente querida. Um abraço, um beijo, um afeto aqui e ali. Filho, eu te amo. Se você tem medos, venha aqui. Se você cair, falhar, estarei ao seu lado. Segurança. Carinho.” - “Isso é importar-se, não é ?” - pergunta. E relata em contraposição: “Nas Ilhas Salomão, quando os nativos querem parte da floresta para agricultura eles não cortam as árvores. Eles simplesmente se juntam ao redor delas e gritam xingamentos, e dizem coisas ruins. Em alguns dias as árvores secam e morrem. Elas morrem sozinhas.”

No filme “Como estrelas na terra”, muitas cenas são emocionantes, contudo... a cena em que o professor de artes vai à casa da família do aluno Ishaan, que está tendo dificuldades na escola, percebe o isolamento no qual ele foi colocado, e ao perceber a insensibilidade da família para compreender o real problema, antes de falar pede se pode tomar um copo de água. A cena é comovente!

Muitas vezes, diante das atrocidades da vida, o profissional precisa mesmo parar e... “tomar um copo de água” para recompor-se diante da situação que presencia. E não é só no que toca ao outro que as vezes é preciso parar e pedir água para se recompor.

Eu me pergunto, se muitas vezes quando olhamos bem fundo para nós mesmos, também não temos vontade de pedir ao tempo que pare, para que possamos tomar um copo de água antes prosseguirmos em nossa jornada .

“Por favor, posso tomar uma água?” - um tempo para recompor-se e aliviar o fardo daquilo que o mergulho NO PROBLEMA, seja ele externo ou interno, revela.

No filme, o professor se recompôs, e depois foi em frente com o que precisava ser atendido.

O filme coloca uma profunda lição de vida. É sem a menor dúvida, um dos melhores que já assisti.

Lembrei de um trecho de Rubem Alves ao refletir sobre a película:
 “É isto que amamos no outro,
o lugar vazio que eles abrem para que ali cresçam nossas fantasias.
Buscamos no outro,
não a sabedoria do conselho,
mas o silêncio da escuta;
não a solidez do músculo,
mas o colo que acolhe...
Como seria bom se as pessoas fossem vazias como o céu,
e não tão cheias de palavras,
de ordens,
de certezas.
Só podemos amar as pessoas que parecem com o céu,
onde podemos fazer voar nossas fantasias como se fossem pipas.”
(Rubem Alves)
 
Assista ao filme completo:
 
Referências:
ALVES, rubem. O vazio que amamos. Disponível em: http://passarinhosnotelhado.blogspot.com.br/2012/07/o-vazio-que-amamos.html Acesso em 18 de amio de 2013.